Ministro da Educação recebe diretores na segunda-feira

O convite foi feito pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação: Fernando Alexandre vai reunir-se na segunda-feira com as associações de diretores e o Conselho das Escolas. Na pasta, os dirigentes levam o pedido de que as provas do 9.º ano sejam feitas em papel este ano e o alerta quanto à falta de professores.

Os presidentes da associação nacional de diretores (ANDAEP), Filinto Lima, da associação de dirigentes escolares (ANDE), Manuel Pereira e do Conselho das Escolas, António Castel-Branco, vão reunir-se na segunda-feira com o ministro da Educação. 

Filinto Lima e Manuel Pereira levam a Fernando Alexandre o pedido de que as provas do 9.º ano sejam feitas, este ano letivo, ainda em papel em vez de em computador. Os diretores estão preocupados com o elevado número de computadores avariados e alertam que as provas digitais, com peso na classificação final de Português e Matemática, podem penalizar alunos que não puderam treinar nos portáteis.  

Já António Castel-Branco assume que vai alertar o ministro para “o problema mais grave” das escolas: “a falta de professores na região de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve que vai estender-se, em breve, a todo o país”. Para o presidente do Conselho das Escolas – órgão consultivo do ministério da Educação – até “faz sentido” a fusão com o ministério do Ensino Superior por se tornar mais fácil exigir a abertura de mais vagas em cursos na área da Educação, especialmente em mestrados em Ensino, por ser determinante para a resolução da escassez de docentes. 

Os três dirigentes sublinham, a propósito da escolha dos secretários de Estado, conhecer bem Pedro Cunha, que há cerca de um ano era o diretor Geral da Educação, nomeado pelo anterior ministro, João Costa. “Conhece bem a realidade das escolas, tem noção das consequências da falta de professores”, frisa Filinto Lima. Já Alexandre Homem Cristo, assumem, conhecem apenas das crónicas do Observador. “Não é do sistema” mas os diretores “estarão disponíveis para trabalhar com a nova equipa”, garante o presidente da ANDAEP.    

“Sem estado de graça”

O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof) assume que o novo secretário de Estado Adjunto da Educação, Alexandre Homem Cristo, não terá direito a “estado de graça” porque esse período de benefício de dúvida se dá a quem não se conhece as ideias. “O que não é o caso”, frisa ao JN. O politólogo, escolhido para “número 2” da Educação e que irá liderar as negociações com os professores, foi assessor parlamentar do CDS, entre 2012 e 2015 e cronista do Observador durante vários anos. 

“A Educação está entregue a quem tem ideias mais liberais e que podem por em causa a escola pública”, afirma, recordando como exemplos “preocupantes” de Homem Cristo, a defesa dos contratos de associação, o fim da lista graduada ou o recrutamento dos professores pelas escolas. 

Cristina Mota do movimento Missão Escola Pública começa por sublinhar que a escolha do porta voz da AD para a Educação para o Governo “não foi de todo uma surpresa”. As “ideias liberais” como o fim da lista graduada, como principal critério na ordenação de colocação dos professores, também preocupam a docente. No entanto, aponta, “há pontos de convergência” como a recuperação das provas de aferição no final dos ciclos (em vez de no meio), mais exames na conclusão do Secundário ou o regresso dos “28 mil professores profissionalizados” que deixaram de concorrer. 

Já para o líder da FNE “mais importante do que os nomes são os resultados”. A federação primeiro vai avaliar a disponibilidade de negociação da nova equipa, depois o desfecho desses encontros.

“Tivemos muitas reunião com João Costa mas pouco evoluímos”, refere. A FNE já anunciou uma contraproposta aos 20% de recuperação do tempo de serviço previstos no programa da AD. Pedro Barreiros apresentará a Alexandre Homem Cristo o pedido de que a primeira tranche seja de 30% e defende que a primeira reunião possa acontecer antes da aprovação do programa do Governo.

A FNE já enviou um pedido de reunião apresentar o seu “roteiro para a legislatura”. A Fenprof pretende entregar no Parlamento, na semana de 15 a 19 de abril, as quatro petições sobre a carreira docente, condições de trabalho, precariedade e aposentação. 

Interpelados sobre se consideram que a escassa maioria do Governo pode ser mais facilmente atingida com a contestação, Nogueira admite que o Parlamento pode ter um papel crucial até na reversão de medidas, Pedro Barreiros afirma que os próximos 60 dias serão determinantes. “Se obtivermos alguns ganhos a contestação é esvaziada. Está nas mãos do Governo. Estamos disponíveis para encontrar soluções. Nada justifica a luta pela luta”, defende o líder da FNE.

Fonte: Ministro da Educação recebe diretores na segunda-feira (jn.pt)

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