João Costa: “Nunca encontrarão uma declaração minha a dizer que há margem” para a reposição do tempo de serviço dos professores

Em entrevista ao Expresso, João Costa espera que a nova liderança socialista consiga “ir mais longe” na reposição do tempo de serviço dos professores desde que a medida tenha “sustentabilidade financeira”. O ministro da Educação revela que, mesmo em gestão, vai deixar prontas as listas para a colocação de 20 mil professores nos quadros das escolas. Não se compromete, mas se tiver tempo, fará o lançamento do concurso ainda antes das eleições.

João Costa diz que não se sente mais livre agora que Pedro Nuno Santos já é líder do PS, mas vai ser mais interventivo do que costume. Contudo, essa liberdade não é suficiente para defender preto no branco que quer a reposição integral do tempo de serviço dos professores. Fala com cautela, defende o legado do Governo e garante que não disse as palavras que lhe são imputadas: “Nunca encontrarão uma declaração minha a dizer que há margem” para a reposição do tempo de serviço dos professores.” Se o Governo que sair das eleições de março for do PSD, espera que não sejam revertidas medidas como os exames nacionais nos anos mais precoces: “Se voltarmos a ter uns exames no 4º ano que servem apenas para selecionar alunos o mais cedo possível, acho que não estamos a ganhar nada nisso”, diz.

Durante o seu mandato acabou por pôr em marcha uma política contrária àquela que o novo líder do PS defende. Eu pergunto-lhe qual é o João Costa que está aqui, se é o Ministro da Educação ou se é o apoiante Pedro Nuno Santos?

Não tenho personalidade dissociativa, sou sempre a mesma pessoa.Tivemos, ao longo deste ciclo político um caminho muito robusto, muito continuado, de investimento também na carreira dos professores, desde logo a reposição de professores nas escolas. Durante o governo PSD e do CDS tinham sido mandados embora mais de 28 mil professores. E especificamente sobre as carreiras, demos um primeiro passo em 2018, que foi o descongelamento de todas as carreiras da administração pública, que obviamente incluiu a carreira dos professores. Fomos, ao longo destes anos resolvendo um problema fundamental da vida dos professores, que é a precariedade da profissão, desprecarizámos 22.500 professores. Introduzimos o acelerador das carreiras e, pela primeira vez, temos a quase totalidade dos professores a progredir nos dois escalões que são sujeitos a vagas.

Artigo Exclusivo para subscritores (Expresso)

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