Vamos frustrar ​​​​​​​as nossas crianças! – Rute Agulhas

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Vamos frustrar ​​​​​​​as nossas crianças! (dn.pt)

Muitos pais acreditam que a frustração faz mal aos seus filhos e, por isso mesmo, raramente os contrariam. Dizem “sim” a quase tudo os que os filhos pedem, mesmo quando são pedidos irrazoáveis e excessivos, e cedem perante as situações mais problemáticas, deixando-os “ganhar”. E é desta forma que surgem as “crianças-rei”, que crescem a acreditar que têm mesmo o rei dentro da barriga e se tornam, muitas vezes, em adolescentes e adultos autocentrados, impulsivos e com baixa tolerância à frustração.

Mas a frustração não faz mal às crianças e é, aliás, muito recomendável.

A vida envolve alegrias e tristezas, ganhos e perdas, conquistas e fracassos. E quando tentamos proteger em demasia as nossas crianças, colocando-as em redomas de vidro para que não experienciem qualquer sofrimento, acabamos por desprotegê-las ainda mais. Apesar das boas intenções, acabamos por aumentar a sua vulnerabilidade face às adversidades próprias da vida.

A vida envolve alegrias e tristezas, ganhos e perdas, conquistas e fracassos. E quando tentamos proteger em demasia as nossas crianças, colocando-as em redomas de vidro para que não experienciem qualquer sofrimento, acabamos por desprotegê-las ainda mais.

Todas as crianças precisam de ferramentas que as ajudem a lidar com situações mais difíceis, como sejam estratégias de resolução de problemas, sabendo esperar pela sua vez e respeitando os direitos dos outros. Ainda, aprender a regular as suas emoções, de modo a expressá-las de uma forma ajustada e assertiva. Podemos também acrescentar aqui a importância em saber adiar o prazer.

E todas estas ferramentas envolvem tolerância à frustração.

É por isso que, desde cedo, as crianças devem ser frustradas, ainda que de modo gradual, em doses pequenas e ajustadas à sua idade e maturidade. Só desta forma podem crescer e aprender que não são o centro do universo e que os seus direitos são, afinal de contas, tão iguais aos direitos dos outros.

Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal

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André
André

Estudante de Humanidades do Ensino Secundário. Entusiasta pela área da Educação. Futuro Docente de História do 3.º Ciclo ao Secundário. Esteve em luta com os PE nas greves de 2022/23, tendo dado declarações para a CNN Portugal em Direto.

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