57 mil alunos sem professor ainda a pelo menos uma disciplina

Ainda há mais de 57 mil alunos sem professor a pelo menos uma disciplina. “É uma dor de alma pedirmos uma substituição e as listas de colocação virem vazias” – CNN Portugal (iol.pt)

Após a quinta reserva de recrutamento, há ainda por preencher 662 horários, alguns desde o início do ano letivo

No final do mês de setembro e decorridas duas semanas desde o início oficial das aulas, ainda há 57.280 alunos sem professor a pelo menos uma disciplina. Após a quinta reserva de recrutamento, ficaram por preencher 662 horários, alguns desde o início do ano letivo.

A situação mais dramática continua a verificar-se nas escolas da Grande Lisboa, onde há 280 horários por preencher, seguida de Setúbal (116), Faro (75) e Porto (33).

Esta sexta-feira, na quinta reserva de recrutamento, ficaram colocados mais 726 professores, dos quais 166 com horário completo. Ainda assim, há muitos que continuam por preencher e, consequentemente, muitos alunos sem aulas. 

 “Há grupos em que, aqui nesta zona [Lisboa e Vale do Tejo] e Algarve não há um único candidato profissionalizado. (…) Não teve lugar nenhuma colocação na Grande Lisboa e Algarve nos grupos de Matemática, Português e Biologia”, nota Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública. 

Mas há outros grupos de recrutamento a acusarem a falta de professores. No grupo de recrutamento de Informática, foi colocado um único docente, no Norte do país. Entraram em Oferta de Escola, esta sexta-feira, 12 horários no grupo de Informática, que foram a reservas de recrutamento, sem candidatos. Ao todo, de acordo com o Blog De Ar Lindo, entraram esta sexta-feira em Oferta de Escola 303 horários com mais de oito horas que foram a reserva de recrutamento, sem candidato.

O problema da falta de professores não é novo, mas está a agravar-se e preocupa os diretores das escolas. “Temo que a escassez de professores se transforme numa pandemia, que se alastre ao resto do país. Que deixemos de ter falta de professores apenas sobretudo em Lisboa, Alentejo e Algarve e que a situação se comece a verificar também no Norte do país. Dois por cento de alunos sem aulas a uma disciplina, de que fala o ministro, são muitos alunos. Todos sabemos e ele também sabe que a escassez de professores é um problema”, frisa Filinto Lima, presidente Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP).

Manuel Pereira, dirigente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), admite que a falta de professores está a deixar os diretores “muito angustiados” e alerta que a situação tende a agravar-se à medida que o ano letivo avança. “Começam agora as substituições de baixas médicas e a situação vai agudizar-se. Mais ainda quando os horários que vão a concurso não são completos. Pomos um horário a concurso de substituição de um docente com redução de horário de seis ou oito horas por causa da idade, que ninguém quer aceitar. Quem é que vai aceitar um horário de 16 ou 18 horas se já com horário completo é difícil fazer face às despesas de deslocação e habitação?”, questiona Manuel Pereira.

O dirigente da ANDE é perentório: “O discurso de quem tutela não é de pacificação. Os professores não pedem nada de ilegítimo ou de ilegal. Um professor que é colocado em Lisboa e tem de pagar 500 ou 600 euros por um quarto – que não os há – e recebe 1200 euros de salário, não consegue suportar isso.”

Filinto Lima defende também que é preciso “rever os vencimentos dos professores, que são baixos, apoiar professores deslocados em claro, discutir os 6 anos, 6 meses e 23 dias”, mostrando-se “contente com a reunião marcada com os sindicatos para dia 2 de outubro”.

É uma dor de alma para os diretores pedir substituição de colegas que metem atestado por burnout, por exemplo. Pedimos substitutos à quarta-feira feita e à sexta a lista das colocações virem vazias é uma dor de alma”, sublinha o presidente da ANDAEP.

Filinto Lima reforça que ainda há horários por preencher desde o início do ano. E que não há motivações na carreira docente que a tornem atrativa aos jovens.

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